O desfecho de Flávia Albuquerque | CAPÍTULO V ◉ FINAL

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fuga justa

V
Fuga justa

— Eita… — Noah ficou cinza. Procurou algum ponto pra olhar, menos para mim. — E agora? Tô sem carro hoje. Vim de bus…
— Você vem ou não vem, cacete? — com uma mão, endireitei a face de Noah para que olhasse em meus olhos.
— Vou…
Passou um garçom pela mesa, dei-lhe a comanda e o dinheiro; o troco ficou de cortesia. Quanto mais rápido eu reagisse, Noah não teria oxigênio no cérebro para mudar de ideia. Tomei-lhe o braço e arrastei ao meu veículo. Ele tropeçou muitas vezes durante o caminho do estacionamento. Pelo jeito, estava com as pernas moles; ainda impressionado por minha insanidade.
Todos os homens funcionam no tranco. Só funcionam assim, gente. Quem dá rumo a um relacionamento somos nós, mulheres. As mulheres comandam o mundo. São tantas explicações do porquê mulheres comandam o mundo… Tantas que, versos, parágrafos, livros, data centers não suportam conteúdo; muito menos este conto. Não fiquem chateadinhos, oh virilidade. Moçoilos, se encararem tal realidade, serão homens sábios. Serão infinitamente felizes!
Entramos no carro. Graças à tensão, toda a sobriedade havia me incorporado; pois bêbada, dirigir não.
Eu não via a hora de chegar em casa, divorciar-me e fugir. Dirigi rapidamente.
Quanto mais veloz, o tempo de livrar-me de Saulo se aproximava.
Noah, passageiro, se tornou matéria inerte. Vezes ou outras olhava para os lados, e reparava especificamente aos meus lábios. Gamou no meu beijo; com certeza!
Mudos. Não quis reproduzir minhas músicas do MP3. E sem saco para mudar de rádio, deixei sintonizada em uma estação anos 80’.
Estávamos chegando a minha casa. Ótimo!
Na estrada aos céus, aos sons duma orquestra, bom demais para a realidade, deparamos com um inoportuno trânsito. De longe se via uma sirene do SAMU; um furgão parado acolá. Estava impossível de aturar. Santa paciência! Tive de encher Noah de beijos para não surtar. Em meia hora chegarmos ao acidente.
— Meu Deus! — um carro estava ao poste; uma latinha de refri arregaçado. Na hora, não sei porque meu coração apertou. — Já volto, Noah… — tive um intuito louco. Saí do carro, fui sozinha até o acidente, onde a vítima estava coberta dum alumínio. Analisei bem o carro.
— Boa noite, senhora. Conhece o veículo? — um militar perguntou-me
— Sim, sim. Moro há pouco daqui.
— Certo. Não estamos conseguindo identificar a vítima. Não estava portando nenhum documento. Havia apenas um bilhete. A senhora se dispõe a ajudar? Será um grande auxílio se senhora identificasse alguma coisa neste papel.
— Hm… Deixe-me ver…

Eu dedico este bilhete a você, que sabe de tudo. Você sabe do que eu fiz. Eu sei porque você, mulher das mulheres, sempre sabe de tudo. Mulher sempre sabe, pois, a moça que fiquei também soube que eu era casado, soube por que descobriu. Peço desculpas pela traição. Você, mulher não merece… Nenhuma merece traição! Eu me escondi atrás da minha vergonha.
Avergonhado por mim. Avergonhado pelo meu eu. O meu Eu imundo; o meu
Eu quebrado. Sozinho… Me desculpe, EU…
Saulo

— Conhece este homem, senhora?
— Não. Este, não. — devolvi o papel. Noah chegou apavorado…
— Meu, você é doida mesmo. Saiu do nada… Sua curiosa.
— Ahah… Não era nada. — arrumei minha franja loira — Vamos embora, amor.
Meu sol da manhã!

FIM.


Você que leu meu conto do primeiro ao quinto capítulo:
— Agradeço sua leitura!
Gostaria, se não for muito incômodo, que você , leitor, desse um pequeno feedback sobre essa história. Ao clicar >>NESTE LINK<<, você poderá inserir suas impressões. (Não se pode mentir, hein! xD)


17 de outubro de 2018

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